19/06/2026 16h00

Chegada do inverno: Sesa reforça cuidados com a saúde de crianças e idosos

O Inverno de 2026 começa neste domingo (21), segue até o dia 22 de setembro. Caracterizada pela queda das temperaturas, menor umidade do ar e maior permanência das pessoas em ambientes fechados, a estação exige atenção redobrada com a saúde, especialmente de crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento de complicações respiratórias.

Diante isso, a Secretaria da Saúde (Sesa), reforça os cuidados com a saúde durante o período, pois é comum o aumento da circulação de vírus respiratórios, como Influenza (gripe), Covid-19, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), adenovírus e outros agentes infecciosos responsáveis por resfriados, bronquiolites e pneumonias.

Crianças exigem cuidados especiais durante o inverno

As crianças menores de cinco anos merecem atenção redobrada durante o inverno, período em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e a circulação de vírus respiratórios aumenta significativamente. Nessa época do ano, são mais frequentes doenças como gripes, resfriados, bronquiolite, pneumonia e crises de asma, que podem evoluir rapidamente e exigir atendimento médico.

Entre os principais agentes causadores desses quadros está o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), responsável por grande parte das internações infantis durante os meses mais frios. Além do VSR, outros vírus respiratórios também circulam com maior intensidade no Inverno, favorecidos pela permanência das pessoas em ambientes fechados e com pouca ventilação.

De acordo com a pediatra e diretora Assistencial do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), Vanuza Guasti, a prevenção é fundamental para reduzir complicações e internações. “A vacinação é uma das principais formas de proteção nesta época do ano. Manter a caderneta vacinal atualizada, especialmente com as doses recomendadas contra a gripe e a bronquiolite, ajuda a prevenir casos graves. No Espírito Santo, a vacina Pneumo 20 integra o Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 2 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias”, destaca.

A médica explica que pais e responsáveis devem ficar atentos aos sinais de alerta, como febre persistente, dificuldade para respirar, chiado no peito, cansaço excessivo, recusa alimentar, diminuição da ingestão de líquidos e sonolência fora do habitual. “Ao perceber qualquer agravamento dos sintomas respiratórios, é importante procurar atendimento médico o mais rápido possível para que a criança seja avaliada e receba o tratamento adequado”, orienta.

Além da vacinação, medidas simples ajudam a prevenir infecções respiratórias. A especialista reforça a importância da higiene frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel, da ventilação dos ambientes, da limpeza regular de objetos e superfícies e da adoção da etiqueta respiratória, cobrindo boca e nariz ao tossir ou espirrar.

Outro cuidado importante é manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, além de garantir uma hidratação adequada ao longo do dia. Também é recomendado evitar a exposição das crianças à fumaça de cigarro e a outros poluentes, fatores que podem agravar doenças respiratórias.

A automedicação deve ser evitada, pois o uso inadequado de medicamentos pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e até causar intoxicações. Em caso de dúvidas ou persistência dos sintomas, a orientação é buscar atendimento em uma unidade de saúde.

Idosos apresentam maior risco para formas graves das doenças respiratórias

Os idosos também integram o grupo mais vulnerável durante o inverno. Com o avanço da idade, ocorre um enfraquecimento natural do sistema imunológico, tornando o organismo menos eficiente no combate a infecções virais e bacterianas. Além disso, muitas pessoas idosas convivem com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e pulmonares, que podem aumentar o risco de complicações.

A referência técnica da Saúde da Pessoa Idosa da Sesa, Lucimar Venturin Hamsi, destaca que os cuidados preventivos devem ser reforçados durante os períodos de temperaturas mais baixas. “O frio favorece a permanência das pessoas em ambientes fechados e aumenta a circulação de vírus respiratórios. Para a população idosa, a prevenção é fundamental, especialmente por meio da vacinação, da manutenção de hábitos saudáveis e da atenção aos primeiros sinais de adoecimento. A busca precoce por atendimento pode evitar complicações e internações”, ressalta.

Além das infecções respiratórias, as baixas temperaturas podem agravar doenças cardiovasculares e aumentar o risco de quedas, devido à redução da mobilidade, rigidez muscular e pisos úmidos. Por isso, é importante que os idosos mantenham os ambientes domésticos seguros, bem iluminados e livres de obstáculos.

Entre as principais recomendações para esse público estão:

  • evitar aglomerações e ambientes fechados com pouca circulação de ar;
  • manter a vacinação atualizada contra Influenza, Covid-19, Pneumococo, hepatite B e tétano, conforme indicação profissional;
  • manter hidratação frequente, mesmo sem sentir sede;
  • consumir sopas, caldos, frutas e alimentos ricos em nutrientes;
  • utilizar roupas adequadas ao frio, preferencialmente em camadas;
  • proteger extremidades do corpo, como mãos, pés e cabeça;
  • evitar mudanças bruscas de temperatura;
  • evitar banhos muito quentes e prolongados;
  • hidratar a pele diariamente para prevenir ressecamento e lesões;
  • manter a casa limpa, ventilada e livre de mofos;
  • não interromper o uso de medicamentos de rotina sem orientação profissional;
  • continuar realizando atividades físicas leves e convívio social seguro;
  • dar preferência à exposição ao sol nos horários mais adequados para auxiliar na produção de vitamina D;
  • observar sinais de alerta, como falta de ar, febre persistente, confusão mental, sonolência excessiva ou piora de doenças crônicas;
  • buscar assistência médica ao surgimento de sintomas respiratórios.

Em especial, a referência técnica reforça a importância da atenção aos idosos que vivem sozinhos durante os períodos de temperaturas mais baixas. “É fundamental que familiares, cuidadores e até mesmo vizinhos fortaleçam o contato com essas pessoas, observando se estão se alimentando adequadamente, mantendo-se aquecidas e seguindo corretamente os tratamentos de saúde. Esse acompanhamento próximo contribui para a prevenção de agravos, permite a identificação precoce de possíveis problemas de saúde e ajuda a reduzir situações de isolamento e vulnerabilidade, promovendo mais segurança, bem-estar e qualidade de vida durante o inverno”, pontua.

Hábitos saudáveis contribuem para um inverno mais seguro em todas as idades

A prevenção continua sendo a principal estratégia para enfrentar os desafios impostos pelo inverno e são medidas fundamentais para reduzir riscos e evitar complicações. Cuidados, aliados a hábitos saudáveis, fortalecem o organismo e contribuem para a proteção da saúde durante a estação mais fria do ano.

Além disso, recomenda-se dormir entre sete e nove horas por noite, praticar atividades físicas regularmente e cuidar da saúde mental por meio de atividades de lazer, leitura, meditação ou yoga. Também é importante evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, higienizar frequentemente as mãos, cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, utilizar máscara em caso de sintomas respiratórios e buscar atendimento médico diante de sinais de agravamento. Com a adoção dessas medidas, é possível reduzir significativamente o risco de adoecimento, proteger os grupos mais vulneráveis e garantir mais saúde, qualidade de vida e bem-estar para toda a população ao longo do inverno.

Vacinação como a principal forma de prevenção contra formas graves da gripe

Uma das medidas mais eficazes para reduzir internações e mesmo óbitos por doenças respiratórias é a vacinação. A imunização contra a Influenza é capaz de reduzir significativamente as complicações causadas pelo vírus da gripe, especialmente em crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

De acordo com a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI), Danielle Grillo, a vacina é uma importante ferramenta de proteção individual e coletiva, ajudando a diminuir a circulação do vírus e a sobrecarga dos serviços de saúde. “A vacinação reduz o risco de hospitalizações, complicações e mortes associadas à gripe. Por isso, é fundamental que a população busque a imunização, principalmente neste período de maior circulação dos vírus respiratórios”, explica.

A Secretaria da Saúde (Sesa) reforça a importância de que toda a população procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para verificar sua situação vacinal e atualizar as vacinas recomendadas, garantindo maior proteção para si e para a comunidade.

Veja as principais vacinas para as crianças e idosos:

Calendário de Vacinação da Criança

IDADE

VACINAS

DOSES

DOENÇAS EVITADAS

Ao nascer

BCG – ID

Dose única

Formas graves de tuberculose

 

Vacina hepatite B

Dose

Hepatite B

2 meses

Vacina pentavalente (DTP
+ HB + Hib)

1ª dose

Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo B.

 

VIP (vacina inativada poliomielite)

1ª dose

Poliomielite (paralisia infantil)

 

VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano)

1ª dose

Diarreia por Rotavírus

 

Vacina pneumocócica 20 (valente)

1ª dose

Protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves, como pneumonia e meningite

3 meses

Vacina meningocócica C (conjugada)

1ª dose

Doenças invasivas causadas por Neisseria meningitidis do sorogrupo C.

4 meses

Vacina pentavalente (DTP
+ HB + Hib)

2ª dose

Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b

 

VIP (vacina inativada poliomielite)

2ª dose

Poliomielite (paralisia infantil)

 

VORH (Vacina Oral de Rotavírus Humano)

2ª dose

Diarreia por Rotavírus

 

Vacina pneumocócica 10 valente

2ª dose

Doenças invasivas e otite média aguda causadas por Streptococcus pneumoniae sorotipos 1, 4, 5, 6B, 7F, 9V,
14, 18C, 19F e 23F.

5 meses

Vacina meningocócica C (conjugada)

2ª dose

Doenças invasivas causadas por Neisseria meningitidis do sorogrupo C.

6 meses

Vacina pentavalente (DTP
+ HB + Hib)

3ª dose

Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, meningite e outras infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo B

 

VIP (vacina inativada poliomielite)

3ª dose

Poliomielite (paralisia infantil)

 

Vacina Covid-19 Pfizer pediátrica menores de 5 anos

1ª dose

Complicações causadas pela Covid-19

 

Vacina Influenza trivalente¹

1ª dose

Influenza

7 meses

Vacina Covid-19 Pfizer pediátrica menores de 5 anos

2ª dose

Complicações causadas pela Covid-19

 

Vacina Influenza trivalente

2ª dose

Influenza

9 meses

Vacina febre amarela

1ª dose

Febre amarela

 

Vacina Covid-19 Pfizer pediátrica menores de 5 anos

3ª dose

Complicações causadas pela Covid-19

12 meses

SCR (tríplice viral)

1ª dose

Sarampo, caxumba e rubéola.

 

Vacina pneumocócica 20 valente

Reforço

Protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves, como pneumonia e meningite

 

Vacina meningocócica ACWY (conjugada)

1º Reforço

Doenças invasivas causadas por Neisseria meningitidis do sorogrupo ACWY.

15 meses

VIP (vacina inativada poliomielite)

Reforço

Poliomielite (paralisia infantil)

 

Vacina hepatite A

Dose única

Hepatite A

 

DTP (tríplice bacteriana)

1º reforço

Difteria, tétano e coqueluche

 

SCRV (tetra viral)

Dose única

Sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

4 anos

DTP (tríplice bacteriana)

2º reforço

Difteria, tétano e coqueluche

 

Vacina varicela

2ª dose

Varicela (catapora)

 

Vacina Febre Amarela

Reforço

Febre Amarela

9 anos

HPV quadrivalente

Dose única

Infecções pelo Papilomavírus
Humano 6, 11, 16 e 18.

 

                                                        Calendário de Vacinação dos Idosos                      

IDADE

VACINAS

DOSES

DOENÇAS EVITADAS

A partir dos 60 anos

Hepatite B

3 doses (conforme histórico vacinal)

Hepatite B

dT ¹

3 doses (conforme histórico vacinal)

Difteria, tétano

Febre amarela²

1 dose, em casos excepcionais (conforme histórico vacinal)

Febre amarela

Tríplice viral SCR

2 doses (somente trabalhadores de saúde, conforme histórico vacinal)

Sarampo, caxumba, rubéola

Pneumocócica 20-valente 

1 dose (somente para idosos acamados e/ou institucionalizados, sem histórico vacinal, e povos indígenas sem histórico vacinal com pneumocócica conjugada)

Doenças pneumocócicas

Varicela ³

2 doses (somente povos indígenas e trabalhadores de saúde, que não tiveram a doença e conforme histórico vacinal)

Varicela (catapora)

Influenza trivalente

1 dose anual com a vacina da temporada

Influenza (gripe)

Covid-19 

1 dose semestral

Formas graves da covid-19 e óbitos causados pelo vírus SARS-CoV-2

 

¹Após o esquema completo (3 doses) com vacina contra difteria e tétano, é recomendado 1 dose de reforço a cada 10 anos com dT, antecipado para 5 anos em caso de risco de difteria ou tétano. Para profissionais de saúde, parteiras tradicionais e estagiários que atuam com recém-nascidos, recomenda-se a vacina dTpa.

²A vacina pode ser recomendada para esta idade apenas para não vacinados, quando há alto risco de contrair a doença e não é possível adiar a vacinação. Mas é necessário avaliação sobre a situação de saúde e as contraindicações. Isso vale para quem vive ou vai viajar para áreas com transmissão ativa. Para viajantes, a vacina deve ser tomada pelo menos 10 dias antes da viagem.

³A partir de 60 anos de idade, suscetíveis, a vacinação deve ser precedida por avaliação do risco-benefício caso a caso, considerando-se as condições clínicas de cada indivíduo e atenção às contraindicações previstas.

Alimentação saudável fortalece as defesas do organismo

A alimentação desempenha papel fundamental no fortalecimento do sistema imunológico. Segundo a nutricionista e referência em Promoção da Saúde da Sesa, Raiany Boldrini Christe Jalles, uma dieta variada e rica em nutrientes ajuda o organismo a responder melhor às infecções típicas do período.

“No Inverno, é comum que as pessoas busquem alimentos mais calóricos e reduzam o consumo de frutas, verduras e legumes. No entanto, manter uma alimentação equilibrada é fundamental para fortalecer o sistema imunológico e ajudar o organismo a enfrentar melhor as infecções respiratórias mais frequentes nessa época do ano. A recomendação é priorizar refeições variadas, preparadas com alimentos in natura ou minimamente processados, garantindo o aporte adequado de vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos que contribuem para a saúde”, aponta a nutricionista e referência em Nutrição da Sesa, Raiany Boldrini Christe Jalles.

Os alimentos ricos em vitamina C, como laranja, acerola, goiaba, kiwi e limão, possuem ação antioxidante e auxiliam na proteção das células. Já alimentos fontes de zinco, como castanhas, nozes, sementes de abóbora, feijão e carnes magras, contribuem para a manutenção da imunidade.

Além desses alimentos, também merecem destaque os alimentos ricos em vitamina A, como cenoura, abóbora, espinafre, couve e brócolis, importantes para a proteção das mucosas do nariz, garganta e pulmões, funcionando como uma barreira natural contra vírus e bactérias.

Para a nutricionista, outro ponto importante é a saúde intestinal: “O consumo de probióticos naturais presentes em iogurtes, kefir e leites fermentados auxilia no equilíbrio da microbiota intestinal, favorecendo a resposta imunológica do organismo tanto em crianças quando na população adulta e idosos.”

Hidratação continua sendo essencial mesmo nos dias frios

Durante o inverno, a sensação de sede diminui, mas as necessidades do organismo permanecem. A ingestão adequada de líquidos ajuda a manter o funcionamento dos órgãos, favorece a circulação sanguínea, evita o ressecamento das vias respiratórias e contribui para a eliminação de toxinas. “Além da água, podem ser consumidos chás, sopas, caldos e sucos naturais. Bebidas quentes preparadas com gengibre, hortelã e cúrcuma podem contribuir para o conforto térmico e apresentam propriedades anti-inflamatórias”, frisa Raiany Boldrini Christe Jalles.

 

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