Hanseníase

PROGRAMA ESTADUAL DE CONTROLE DA HANSENÍASE

EQUIPE TÉCNICA: Leoverlane da Cunha Miranda, Thicianna de Castro Nardoto.

E-mail: hanseniase@saude.es.gov.br

Tel.: (27) 3636-8226

Hanseníase

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que acomete principalmente a pele e os nervos periféricos. Quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode causar incapacidades físicas e comprometimentos neurológicos. A doença tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 

Como ocorre a transmissão?

A transmissão acontece pelas vias respiratórias, por meio do contato próximo e prolongado com uma pessoa com hanseníase sem tratamento, especialmente nos ambientes domiciliares. A doença NÃO é transmitida por aperto de mão, abraço, compartilhamento de objetos, alimentos ou contato ocasional.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Hanseníase, após o início da poliquimioterapia, a pessoa deixa de transmitir a doença, reforçando a importância do diagnóstico precoce e do início imediato do tratamento. 

Principais sinais e sintomas

Os sinais e sintomas mais frequentes incluem:

  • Manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, com alteração ou perda de sensibilidade;

  • Formigamento, dormência ou sensação de choque nos braços e pernas;

  • Diminuição da força muscular;

  • Dor ou espessamento de nervos periféricos;

  • Feridas e queimaduras sem percepção de dor;

  • Ressecamento da pele e redução da transpiração.

A identificação precoce desses sinais é fundamental para evitar sequelas e incapacidades físicas permanentes.

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico e deve ser realizado por profissionais de saúde capacitados, especialmente na Atenção Primária à Saúde. A avaliação inclui exame dermatoneurológico, testes de sensibilidade e investigação do comprometimento neural. Em situações específicas, podem ser utilizados exames laboratoriais complementares. 

Tratamento

O tratamento da hanseníase é realizado com a Poliquimioterapia Única (PQT-U), composta por rifampicina, dapsona e clofazimina. O esquema terapêutico varia conforme a classificação operacional da doença e pode durar de seis a doze meses.

Além da antibioticoterapia, o cuidado integral inclui:

  • Prevenção e manejo de incapacidades físicas;

  • Acompanhamento dos nervos periféricos;

  • Vigilância e avaliação dos contatos domiciliares;

  • Apoio psicossocial para enfrentamento do estigma e discriminação.

O tratamento regular leva à cura e interrompe a cadeia de transmissão. 

Vigilância e controle

A Hanseníase é uma doença de notificação compulsória. As Diretrizes do Ministério da Saúde destacam que o enfrentamento da hanseníase depende da integração entre vigilância, atenção à saúde e educação em saúde. Entre as principais estratégias estão:

  • Diagnóstico precoce;

  • Busca ativa de casos;

  • Avaliação anual de contatos;

  • Fortalecimento da Atenção Primária;

  • Educação permanente das equipes de saúde;

  • Combate ao preconceito e à discriminação.

As ações devem ocorrer de forma articulada em toda a Rede de Atenção à Saúde. 

Contatos: Ressalta-se que são considerados contatos de acordo com o  PCDT 2022, documento que norteia a hanseníase, “toda e qualquer pessoa que resida ou tenha residido, conviva ou tenha convivido com o doente de hanseníase, no âmbito domiciliar, nos últimos cinco anos anteriores ao diagnóstico da doença, podendo ser familiar ou não”. Logo se faz oportuno a busca ativa dos contatos pela Rede de Atenção à Saúde (RAS). Caso necessário, usa-se o teste rápido para avaliação do contato que se inclua nos pré-requisitos conforme NOTA TÉCNICA Nº 3/2023CGDE/DEDT/SVSA/MS.

Vacina BCG para Contatos de Hanseníase: O uso da vacina BCG indivíduos suscetíveis à hanseníase oferece proteção para os contatos. A aplicação da vacina BCG depende da história vacinal e/ou da presença de cicatriz vacinal e deve seguir as recomendações do (PEI).

 

Situação epidemiológica no Brasil

O Brasil permanece como o segundo país do mundo em número de casos novos de hanseníase, atrás apenas da Índia, concentrando importante carga da doença nas Américas. O cenário epidemiológico demonstra que a hanseníase ainda representa um relevante problema de saúde pública.

De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hanseníase do Ministério da Saúde – Número Especial 2026, o país registrou manutenção da transmissão ativa da doença no período de 2014 a 2025, com predominância de casos multibacilares, forma clínica associada ao diagnóstico tardio e maior potencial de transmissão. Em 2023, aproximadamente 82,4% dos casos novos diagnosticados no Brasil foram classificados como multibacilares.

Outro indicador importante é a ocorrência de casos em menores de 15 anos, que evidencia transmissão recente e persistente na comunidade. O Ministério da Saúde reforça que a detecção precoce e o exame de contatos são estratégias fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e reduzir incapacidades físicas relacionadas à doença.

Os dados nacionais também demonstram desafios relacionados ao diagnóstico oportuno, à vigilância de contatos e à qualificação dos registros nos sistemas de informação em saúde. Apesar disso, o país vem ampliando ações de busca ativa, fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e vigilância integrada da hanseníase.

Situação epidemiológica no Espírito Santo

No Espírito Santo, a hanseníase segue sendo monitorada de forma contínua pela vigilância estadual, com desenvolvimento de ações voltadas à detecção precoce, tratamento oportuno e prevenção de incapacidades físicas. O estado apresenta perfil epidemiológico semelhante ao observado nacionalmente, com predominância de casos multibacilares, indicando a necessidade de fortalecimento das estratégias de diagnóstico precoce e rastreamento de contatos.

Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o Espírito Santo apresentou, em 2023, proporção de 65,5% de casos multibacilares entre os casos novos registrados. O estado também se destacou positivamente na qualidade do preenchimento das informações relacionadas aos episódios reacionais, alcançando um dos melhores indicadores de completude do país.

A Secretaria da Saúde do Espírito Santo mantém ações permanentes de vigilância, educação em saúde e capacitação das equipes da rede assistencial, com foco na identificação precoce dos sinais e sintomas, avaliação de contatos domiciliares e fortalecimento da Atenção Primária à Saúde como porta de entrada do cuidado.

O enfrentamento da hanseníase exige atuação integrada entre vigilância epidemiológica, assistência e mobilização social, contribuindo para redução da transmissão, prevenção de sequelas e eliminação do estigma associado à doença.

A Secretaria da Saúde do Espírito Santo reforça a importância da procura imediata da unidade de saúde diante de manchas na pele com alteração de sensibilidade ou sintomas neurológicos suspeitos.

A hanseníase tem cura

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado interrompem a transmissão e evitam incapacidades.

O SUS oferece atendimento gratuito, acompanhamento multiprofissional e medicamentos para toda a população.

Em caso de suspeita, procure a unidade de saúde mais próxima.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico de Hanseníase – Número Especial 2026. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em:
    Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2026
    Acesso em: 20 maio 2026.

  2. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico – Volume 57, nº 2. Brasília: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em:
    Boletim Epidemiológico Volume 57 nº 2
    Acesso em: 20 maio 2026.

  3. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase – PCDT Hanseníase 2022. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em:
    PCDT Hanseníase 2022

  4. Ministério da Saúde. Diretrizes para Vigilância, Atenção e Eliminação da Hanseníase como Problema de Saúde Pública. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em:
    Diretrizes para Vigilância, Atenção e Eliminação da Hanseníase 2016

LINKS ÚTEIS:

Hanseníase — Ministério da Saúde 

Aplicativo MS - AppHans 

Instituto “Lauro de Souza Lima" 

BVS Hanseníase

SIES

e-SUS/VS 

VÍDEOS:

PCDT Hanseníase

Hanseníase - Aspectos clínicos, teste-rápido e estigma

Aspectos clínicos da hanseníase

Teste rápido para hanseníase

Estigma e discriminação da hanseníase

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