Dia Mundial da Obesidade: a prevenção à obesidade deve acontecer em todas as idades
O dia 4 de março é lembrado como o Dia Mundial da Obesidade, data dedicada a aumentar a conscientização sobre essa doença crônica não transmissível que representa um desafio de saúde global. Nesta data, a Secretaria da Saúde (Sesa) destaca que os cuidados contra a obesidade devem ser seguidos em todas as idades, uma vez que se torna fator de risco para o desenvolvimento de outras doenças crônicas, independentemente da faixa etária.
No ano passado, cerca de 33% da população adulta que realizou atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo estava com sobrepeso, isto é, com o Índice de Massa Corporal (IMC) entre 25 e 29,9, já as crianças de 5 a 10 anos representou pouco mais de 16%. Em relação à Obesidade, com IMC superior a 30, cerca de 23% da população adulta encontrou-se com Obesidade Grau I e quase 10% das crianças de 5 a 10 anos foram consideradas obesas. Os dados são do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).
Pela definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Obesidade é o excesso de gordura corporal, em quantidade que determine prejuízos à saúde. O IMC é uma medida internacional, adotada pela OMS, que calcula se uma pessoa está no peso ideal em relação à sua altura, dividindo o peso da pessoa, em quilogramas, pela altura, em metros, elevada ao quadrado. Pessoas com peso saudável apresentam IMC entre 18,5 - 24,9; sobrepeso entre 25 e 29,9; e obesidade com 30 ou mais.
“A Obesidade por muitos anos foi vista como apenas estar acima do peso na balança, mas hoje sabemos que é uma doença crônica, que envolve múltiplos fatores, como genética, hormonal, ambiental, e que é recidivante, ou seja, com chance de reganho de peso em períodos da vida. Portanto, deve ser acompanhada e tratada de forma contínua”, explicou a médica endocrinologista que atua no Centro de Referência de Especialidades (CRE) Metropolitano, Alice Bravim.
O cuidado em todas as idades, de acordo com a profissional, deve ser seguido principalmente pela Obesidade representar fatores de risco para o desenvolvimento de outras Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial e alguns tipos de cânceres.
“As doenças comumente desencadeadas ou agravadas pela Obesidade envolvem diversos sistemas do corpo, desde doenças cardiometabólicas, doenças ortopédicas, pulmonares, como apneia do sono e ainda aumenta o risco de desenvolver alguns tipos de câncer, como mama, intestino, e de útero. É importante destacar ainda o maior risco de pacientes portadores de Obesidade desenvolverem doenças relacionadas à saúde mental, como depressão”, pontuou a médica endocrinologista.
Para o público infantil, os cuidados devem ser redobrados, uma vez que a Obesidade pode provocar doenças crônicas precoces. “Antes vistas quase que exclusivamente em adultos, como a diabetes tipo2, hipertensão, problemas ortopédicos e cardiovasculares, além da baixa autoestima e a depressão. As crianças obesas têm altíssimas chances de se tornarem adultos obesos também”, alertou Alice Bravim.
A obesidade é um problema de saúde pública que exige ação conjunta dos profissionais de saúde e da própria sociedade. Pequenas mudanças nos hábitos diários podem fazer uma grande diferença na prevenção e no controle dessa doença.
Para a sua prevenção, é preciso considerar as mudanças em estilo de vida, como a melhora na escolha alimentares, o consumo de alimentos in natura (frutas, verduras, legumes), o manejo do estresse e do sono, uma boa ingestão hídrica, além de evitar alimentos ultraprocessados e bebidas alcoólicas e açucaradas, como refrigerantes. Além disso, é essencial a adoção da prática regular de atividades físicas. A recomendação da OMS para adultos é a realização de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de intensidade moderada. A Sesa orienta que o cidadão fique atento ao seu peso corporal, pratique ao menos uma atividade física, busque uma vida equilibrada e procure os serviços de saúde sempre que necessário.
Para ver: referência da Sesa fala técnica da Sesa fala sobre cuidados e prevenção à obesidade
A referência em Promoção da Saúde e nutricionista da Secretaria da Saúde (Sesa), Raiany Boldrini, falou sobre cuidados, prevenção e como acessar ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento contra a Obesidade neste vídeo.
Tratamento
O tratamento da obesidade é complexo e multidisciplinar. A porta de entrada para as consultas e exames iniciais para o tratamento e acompanhamento da obesidade acontece pela Atenção Primária de Saúde (APS), onde o cidadão deve comparecer à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, para serem realizados consultas e exames com a avaliação e encaminhamento ao tratamento adequado.
Vale destacar que a prevenção primária à Obesidade inclui medidas não farmacológicas como mudanças de estilo de vida, associado a orientações nutricionais para diminuir o consumo de calorias na alimentação e prática de exercícios físicos para aumentar o gasto calórico diário, reduzindo o sedentarismo na população com sobrepeso/obesidade.
Em linhas gerais, o tratamento farmacológico é adjuvante e inicia-se na prevenção secundária para impedir a progressão da doença para um estágio mais grave e prevenir complicações, sempre com uma abordagem terapêutica individualizada.
A cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para tratar casos de Obesidade grave. O critério para elegibilidade à bariátrica envolve primariamente o IMC e comorbidades associadas à doença, e falha no tratamento clínico. Em 2025, foram realizadas 788 cirurgias bariátricas pelo SUS no Espírito Santo. Atualmente, cerca de 89 pessoas aguardam pela cirurgia no Estado, sendo 88% mulheres e 12% homens, com média de idade de 45 anos.
Atenção à Obesidade redobrada na infância
Para a referência em Promoção da Saúde e nutricionista da Sesa, Raiany Boldrini, o cuidado e atenção ao público infantil em relação à Obesidade devem ser redobrados. “Nos preocupamos muito com o público infantil, pois quando a Obesidade se manifesta no início da vida, a probabilidade de se manter ao longo dos anos é muito grande”, destacou a referência técnica.
A atenção se dá ainda, uma vez que, de acordo com a profissional, crianças com Obesidade tem o “maior risco de desenvolver outras doenças crônicas” e que podem se manter durante a vida adulta.
Neste contexto, um dos trabalhos desenvolvidos na saúde, de maneira intersetorial, é o aumento da conscientização de crianças sobre a doença por meio do Programa Saúde na Escola (PSE). O PSE é uma política intersetorial da Saúde e da Educação, instituída pelo Ministério da Saúde, que visa ao desenvolvimento da cidadania e da qualificação das políticas públicas brasileiras. “Aproveitamos o ambiente escolar para incentivar o desenvolvimento, por parte dos municípios, de ações de prevenção à saúde e também nutricional”, pontuou Raiany Boldrini.
Monitoramento e enfrentamento da Obesidade no SUS
O monitoramento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS) é realizado primariamente na Atenção Primária à Saúde (APS), focando em Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), no diagnóstico por IMC e no acompanhamento multiprofissional longitudinal.
Segundo com a referência em Promoção da Saúde e nutricionista da Sesa, Raiany Boldrini, o monitoramento por meio dos dados acontece mediante o estado nutricional, baixo peso, peso saudável, sobrepeso e obesidade. “Trabalhamos junto aos municípios para o fomento da medição de peso e aferição da altura dos usuários do SUS cada vez mais durante o atendimento na APS, pois com esses dados podemos acompanhar o estado nutricional da nossa população”, informou a referência técnica.
A profissional lembrou que a Obesidade tem causa multifatorial, especialmente ligada ao estilo de vida atual da população, além da insegurança alimentar. Muito em virtude disso, o seu enfrentamento se faz essencial que aconteça de maneira intersetorial. “A Obesidade não é somente um problema de saúde. Precisamos pensar no esforço que vá além dos muros da saúde pública, como o trabalho da qualidade de vida, da condição digna de vida, do combate à fome, do acesso à renda, pois muitas vezes a Obesidade é resultado da insegurança alimentar”, alertou.
Diante disso, o Estado realiza o enfrentamento a essa doença por meio de ações gerenciais e operacionais, ampliando os trabalhos de forma intersetorial, englobando junto à Saúde, o Esporte e a Educação, por exemplo, na Câmara Técnica de Alimentação e Nutrição do Espírito Santo (CTANES). Além disso, fomenta e apoia os municípios nas ações de prevenção, com a qualificação dos profissionais da APS na conduta e olhar para a Obesidade.
Abaixo os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), em 2025, do estado nutricional dos indivíduos por grupos:
- Adultos
Sobrepeso: 156.076 (32,8%)
Obesidade Grau I: 107.786 (22,65%)
Obesidade Grau II: 49.025 (10,3%)
Obesidade Grau III: 28.560 (6%)
- Adolescentes
Sobrepeso: 29.598 (19,35%)
Obesidade: 18.264 (11,94%)
Obesidade Grave: 5.819 (3,81%)
- Crianças (de 5 a 10 anos)
Sobrepeso: 19.664 (16,44%)
Obesidade: 11.390 (9,52%)
Obesidade grave: 6.907 (5,77%)
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