Serviço de Odontologia Hospitalar do Hospital ‘São Lucas’ completa 1 ano
A consolidação da Odontologia Hospitalar no Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas”, em Vitória, transformou a assistência aos pacientes na terapia intensiva ao oferecer um serviço voltado para a saúde bucal. Elemento crucial para a segurança hospitalar, a especialidade completou seu primeiro ano de funcionamento.
A chegada da odontologia transformou o cuidado com pacientes neurocríticos e de longa permanência da instituição. Por serem casos complexos e muitas vezes vulneráveis, sem histórico prévio de cuidados com a saúde bucal, esses pacientes apresentam alto risco de desenvolver infecções respiratórias causadas por bactérias da própria boca. “Os treinamentos constantes junto ao engajamento das equipes foram primordiais para alcançarmos esses resultados, muito aguardados e celebrados por todos nós. Eu estou aqui para revisar os protocolos, ensinar e cuidar dos casos graves, além de realizar as intervenções específicas da odontologia. Resolvemos focos de infecção com extrações e controle de níveis bacterianos na presença de tártaro. Esses procedimentos não eram realizados e essa mudança também foi muito relevante no controle de infecções”, explicou a dentista hospitalar do São Lucas, Beatriz Coutens.
A coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital São Lucas, a infectologista Daniela Feitosa, reforçou que a prevenção de as Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde, conhecidas como IRAS: “São uma batalha constante que depende do envolvimento de todos os profissionais”. Por essa razão, a chegada da Odontologia Hospitalar foi primordial para trazer uma nova perspectiva de cuidado e ampliar a visão sobre a saúde do paciente.
"Este resultado é fruto de um trabalho em equipe e da melhoria dos processos. Não é apenas a SCIH ou a Odontologia Hospitalar; todos são protagonistas, atuando em conjunto. A presença da odontologia foi a cereja do bolo que fechou o pacote e motivou a equipe. Hoje estamos completos, com um novo olhar e uma assistência que fez diferença não só na rotina, mas nos resultados impressionantes que merecem ser comemorados”, comemorou a coordenadora.
Outro impacto importante foi na redução de infecções graves, chegando a registrar uma queda de 28% nos casos de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV) entre maio e dezembro de 2025. Já neste ano, entre janeiro e fevereiro, a unidade registrou a marca de PAV Zero nos leitos de UTI do hospital. Para alcançar esses números, o hospital revisou suas instruções normativas de PAV e de higiene oral. Em janeiro, toda a equipe assistencial passou por treinamentos intensivos para alinhar a aplicação do "bundle" de prevenção, um pacote de medidas que deve ser aplicado rigorosamente a cada paciente, diariamente nas visitas multiprofissionais.
O coordenador da equipe de cirurgia bucomaxilofacial e também responsável pela Odontologia Hospitalar do São Lucas, Felipe Firme, explicou que a presença do cirurgião-dentista no ambiente hospitalar vai além do tratamento dentário convencional, sendo crucial para a redução de microrganismos na cavidade bucal, impedindo que bactérias nocivas sejam aspiradas para os pulmões ou disseminadas via corrente sanguínea para outras partes do copo. O controle rigoroso da saúde oral reduz o tempo de internação e garante uma recuperação mais segura para pacientes em estado crítico.
“Ficamos muito felizes com esses resultados no primeiro ano do serviço e a ideia é expandir a atuação não só na Unidade de Terapia Intensiva, mas também nos leitos de internação, de forma que todos os pacientes tenham acesso aos benefícios da presença de mais um profissional comprometido em garantir a saúde e a qualidade de vida”, frisou.
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