19/03/2026 11h40 - Atualizado em 19/03/2026 11h39

Sesa realiza Encontro Estadual de Vigilância Epidemiológica de Violência e Acidentes – VIVA-ES

A Secretaria da Saúde (Sesa) realizou o Encontro Estadual de Vigilância Epidemiológica de Violência e Acidentes – VIVA-ES, com o objetivo de fortalecer a atuação da vigilância epidemiológica das violências e acidentes nos municípios capixabas. O evento aconteceu nessa terça-feira (17) e nesta quarta-feira (18), no Centro de Convenções do Hotel Praia Sol, no município da Serra, reunindo referências técnicas estaduais e municipais, além dos Núcleos Municipais de Prevenção de Violência, Promoção da Saúde e Cultura de Paz (NUPREVIs).

O encontro proporcionou um espaço de alinhamento conceitual, qualificação dos processos de trabalho e troca de experiências entre os profissionais que atuam na vigilância e na assistência às pessoas em situação de violência. A iniciativa também buscou ampliar o debate sobre os desafios enfrentados na vigilância das violências no Espírito Santo, especialmente diante de cenários preocupantes como os casos de feminicídio, as taxas de suicídio e a subnotificação de ocorrências em diversos municípios.

Outro ponto central das discussões foi a importância da qualidade das informações registradas nos sistemas de saúde, em especial no e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS), ferramenta utilizada na formulação de políticas públicas e orientar estratégias de prevenção e enfrentamento das violências.

Durante os dois dias de programação, os participantes discutiram os fundamentos da vigilância em saúde aplicada ao tema da violência, abordando evidências científicas e os desafios para a gestão pública na implementação de políticas voltadas à redução da morbimortalidade por acidentes e violências. Também foram apresentados aspectos legais relacionados à notificação compulsória de casos de violência no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para a responsabilidade dos serviços e profissionais de saúde no registro dessas ocorrências.

“O enfrentamento das violências passa necessariamente pela qualificação da vigilância epidemiológica. Quando os municípios notificam corretamente, analisam os dados e articulam os encaminhamentos com a rede de proteção, conseguimos compreender melhor o cenário e desenvolver políticas públicas mais eficazes para prevenir agravos”, destacou a chefe do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica (NEVE), Dijoce Prates Bezerra

Ainda segundo a chefe do NEVE, a vigilância epidemiológica desempenha papel fundamental na produção de informações que subsidiam decisões e direcionam ações de prevenção e cuidado.

“Mais do que números, estamos falando de vidas. A qualidade da informação registrada pelos profissionais nos serviços de saúde permite identificar padrões, territórios mais vulneráveis e perfis das vítimas, possibilitando uma resposta mais rápida e efetiva do poder público.”

De acordo com a referência técnica da Vigilância Epidemiológica Estadual de Violência (VIVA/Sesa), Edleusa Cupertino, o encontro estadual também é essencial para fortalecer a integração entre os municípios e aprimorar o registro das informações nos sistemas de saúde.

“O encontro é uma oportunidade importante para alinhar conceitos, atualizar os profissionais sobre os fluxos de notificação e fortalecer a rede de vigilância das violências no Espírito Santo. Quando qualificamos o registro das informações e ampliamos o diálogo entre os municípios, conseguimos produzir dados mais consistentes e planejar ações mais eficazes de prevenção, cuidado e proteção às vítimas”, disse.

“Além disso, o encontro teve a proposta de preparar a equipe de vigilância municipal para a vigilância de feminicídio que está em discussão no Ministério da Saúde (MS), e o Espírito Santo, é um dos territórios onde ocorre o projeto piloto”, completou.

A programação incluiu ainda debates sobre a linha de cuidado às pessoas em situação de violência, contemplando desde a identificação de sinais e sintomas até o acolhimento, a tomada de decisão e o monitoramento dos casos no território. Os profissionais também participaram de oficinas práticas sobre notificação de violência, com estudo de casos e orientações sobre o preenchimento adequado das fichas e o registro das informações no sistema e-SUS Vigilância em Saúde.

Outro tema abordado foi a utilização das informações produzidas pela vigilância epidemiológica para a gestão dos agravos. Os participantes receberam orientações sobre a extração e análise de dados, incluindo cálculos de mortalidade por causas externas e o uso dos painéis do e-SUS como ferramenta de apoio à gestão e à tomada de decisão nos municípios. Também foram discutidos os indicadores previstos no Plano Estadual de Saúde, com a apresentação de resultados regionais e o compartilhamento de experiências entre as equipes municipais.

O encontro contou ainda com momentos de diálogo entre os participantes e apresentação de experiências exitosas desenvolvidas pelos Núcleos Municipais de Prevenção de Violência, Promoção da Saúde e Cultura de Paz (NUPREVIs), com destaque para iniciativas implementadas nos municípios de Marataízes e Presidente Kennedy. As discussões também abordaram as especificidades da atenção às vítimas de violência sexual e a importância da organização da rede de cuidado e proteção.

Sistema de notificação em tempo real

A linha de cuidado às pessoas em situação de violência é organizada em quatro etapas: acolhimento, atendimento, notificação e monitoramento da vítima no território. Para apoiar esse processo, a Secretaria da Saúde disponibiliza o sistema e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS VS), que permite a notificação de casos suspeitos ou confirmados em tempo real, contribuindo para uma resposta mais rápida e articulada da rede de proteção.

Dados

Dados registrados no sistema indicam crescimento nas notificações de violência contra mulheres no Espírito Santo. Em 2023 foram registrados 17.891 casos, enquanto em 2024 o número chegou a 21.556 notificações. Já os dados de 2025 indicam que foram registrados 25.979 casos. Nesse ano de 2026, de janeiro até 16 de março, foram 5.208 casos registrados.

Entre os tipos de violência mais registrados estão a violência física, as lesões autoprovocadas/outras, psicológica e sexual, com notificações envolvendo principalmente mulheres na faixa etária de 0 a 19 anos.

Além da qualificação dos profissionais, a Sesa vem ampliando a articulação da rede de atenção por meio dos Núcleos Municipais de Prevenção de Violência, Promoção da Saúde e Cultura de Paz (NUPREVIs). Os núcleos têm como objetivo apoiar os municípios na construção de planos locais de prevenção da violência, promoção da saúde e cultura de paz, além de organizar fluxos de atendimento às pessoas em situação de violência, evitar a revitimização e fortalecer a integração entre setores como saúde, assistência social, educação, Conselho Tutelar e segurança pública.

Participaram do Encontro Estadual de Vigilância Epidemiológica de Violência e Acidentes – VIVA-ES aproximadamente 80 pessoas representando 63 municípios do Espírito Santo. 

O evento ainda contou com os palestrantes: a médica sanitarista e epidemiologista - mestre em Saúde Pública (USP- FHSP) Luiza Maria de Castro Augusto Alvarenga; a especialista em APS e em Epidemiologia aplicada a gestão e representante do Nuprevi, Solange Lanna; a psicóloga do Tribuinal de Justiça do Estado do Espírito Santo (TJES) com atuação na Segunda Vara da Infância e da Juventude de Cariacica, Solineia Braun Venâncio; o psicólogo pós graduado em Saúde coletiva pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com atuação na Atenção Primária em Saúde, Clesio de Oliveira Venâncio; a assistente social Especialista em Violência no SUS pela Fiocruz, Patrícia Luiza Sampaio Miguel; a médica especialista em cardiologia, arritmia clínica e medicina do trabalho, referência técnica eSUS-VS, Mônica Lima; o chefe de Núcleo de Sistemas de Informação em Saúde E Centro de Informações Estratégicas em Saúde Sesa, Gustavo Teixeira Oliveira; a bióloga Sanitarista, doutora em Saúde Coletiva-UFES, Especialista em Saúde Pública com ênfase na APS, especialista em avaliação em saúde, referência técnica da Vigilância de Violências e Acidentes de Marataízes, Marcelle Lemos Leal; e a  enfermeira pós-graduada no  Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva, coordenadora do Nuprevi do Município de Presidente Kennedy Josiane Machado de Oliveira.

Veja as fotos do evento aqui:

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