31/03/2026 09h27 - Atualizado em 31/03/2026 12h18

‘Abril Verde’ reforça importância da prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho

A campanha do Abril Verde chama atenção para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. A data reforça a importância de promover ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis, além de dar visibilidade a um problema que impacta milhares de trabalhadores todos os anos. No Espírito Santo, só em 2025 foram notificados 14.434 acidentes de trabalho.

As informações são do sistema e-SUS Vigilância em Saúde (e-SUS/VS) e revelam um cenário que exige atenção contínua. Do total de acidentes registrados, 42% resultaram em incapacidade temporária para o trabalhador(a), enquanto 32% evoluíram para cura. Casos mais graves também foram registrados: 15 trabalhadores tiveram incapacidade total permanente e 116 evoluíram a óbito - número próximo ao observado durante o ano de 2024, quando foram registrados 113 óbitos.

O chefe do Núcleo Especial de Vigilância em Saúde do Trabalhador (NEVISAT), Frederico de Freitas, explicou que o perfil dos acidentes evidencia desigualdades importantes. “Homens representam 73% dos trabalhadores acidentados. Entre os óbitos, essa proporção é ainda maior, chegando a 90%. A faixa etária mais atingida pelos acidentes é de 18 a 29 anos, enquanto as mortes se concentram entre trabalhadores de 40 a 49 anos”, disse.

Entre as principais causas de acidentes estão o contato com objetos cortantes, os impactos por objetos, quedas e acidentes de transporte, especialmente envolvendo motociclistas. Já os óbitos, estão fortemente associados a acidentes de trânsito, com destaque para motociclistas e motoristas de caminhão, além de quedas e impactos por objetos. As ocupações mais afetadas incluem trabalhadores da agricultura, pedreiros, técnicos de enfermagem, faxineiros e soldadores. Nos casos fatais, destacam-se motoristas de caminhão, trabalhadores da agricultura, motociclistas e profissionais da construção civil.

“Parte dos acidentes e doenças relacionados ao trabalho não é registrada nos sistemas de informação, reforçando a necessidade de ampliar a identificação desses agravos nos serviços de saúde”, alertou o chefe do NEVISAT.

O profissional destacou ainda que o cenário evidencia que acidentes e mortes no trabalho não são eventos isolados ou inevitáveis. Estão diretamente relacionados às condições em que o trabalho é realizado. “A prevenção passa, sobretudo, pela garantia de ambientes seguros, pela organização adequada do trabalho e pela eliminação de riscos nos processos produtivos, e não apenas pelo uso de equipamentos de proteção”, informou Frederico de Freitas.

Vídeo sobre Abril Verde.

 

Evento sobre Pneumoconiose

O “Abril Verde” foi escolhido em virtude das datas que lembram o Dia Mundial da Saúde (7 de abril) e o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho (28 de abril).

No Estado, todos os anos, o NEVISAT realiza ações dedicadas à campanha, focado em um tema específico de acordo com os dados epidemiológicos do Estado. Neste ano de 2026, o tema escolhido foi Pneumoconiose relacionada ao trabalho.

Pneumoconioses são doenças pulmonares crônicas e irreversíveis, causadas pela inalação e acúmulo de poeiras inorgânicas (sílica, carvão, amianto) ou orgânicas no ambiente de trabalho. Trata-se de uma doença grave que não tem cura. O tratamento é focado apenas no alívio dos sintomas, tornando a prevenção fundamental.

Para debater o tema, o NEVISAT, em parceria com Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) da Região Norte de Saúde, realiza o IV Simpósio Capixaba de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora com o tema voltado para as “Pneumoconioses Ocupacionais”, em 29 de abril, a partir das 9 horas, na cidade de São Mateus, no auditório da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). O evento é direcionado a pessoas convidadas que atuam na área, e será transmitido pelo canal da Secretaria da Saúde (Sesa) no YouTube

O evento contará com a participação de representantes de trabalhadores e de empresas do setor de rochas ornamentais, com profissionais da Rede de Atenção à Saúde da região, além de um pneumologista, especialista na área de epidemiologia e aspectos clínicos da exposição à sílica. A intenção é mobilizar trabalhadores, empregadores e profissionais da saúde quanto à importância não só da identificação precoce da doença, mas também na mudança dos ambientes e processos de trabalho, com foco na eliminação do risco.

O Espírito Santo é o estado com maior exploração, beneficiamento e exportação de rochas ornamentais do Brasil. Entre 2021 e 2025 foram notificados 98 casos de pneumoconioses no Estado. Como é uma doença de progressão ao longo dos anos, muitos trabalhadores só são diagnosticados quando já estão aposentados, o que prejudica a identificação da relação com o trabalho. O maior número de notificações está no município de Barra de São Francisco (70), seguido por São Mateus (19), ambos na Região Norte, que concentra grande número de empresas do setor de rochas ornamentais.

 

Atuação integrada

No Espírito Santo, a Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do NEVISAT, coordena o monitoramento de agravos na saúde do trabalho de forma integrada com os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), Superintendências Regionais e municípios. Entre as ações desenvolvidas estão a qualificação dos profissionais da rede de saúde para identificação do trabalhador durante o atendimento, a realização de inspeções sanitárias e a produção de materiais técnicos que subsidiam políticas públicas voltadas à proteção da saúde dos trabalhadores e das trabalhadoras.

A participação da população também é fundamental. Situações de risco, condições inadequadas de trabalho ou adoecimento podem ser relatadas por meio da Ouvidoria Geral do Estado (https://ouvidoria.es.gov.br/) e do formulário Vigi Trabalhador (https://saude.es.gov.br/vigi-trabalhador), uma ferramenta de participação comunitária que contribui para o fortalecimento da vigilância em saúde do trabalhador.

 

Informações à Imprensa:

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