03/03/2026 12h38 - Atualizado em 03/03/2026 12h42

Dia Mundial da Audição: Saúde reforça a importância da prevenção e da reabilitação auditiva

A aposentada Luzinete Santos de Oliveira Paz, 75, moradora de Vitória, começou a perceber que estava com problema de audição no ouvido direito, uma situação que começou a gerar desconforto e afetar a sua rotina. Após passar por consultas e exames chegou, no último dia 27 de fevereiro, ao Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo (Crefes) para receber seu Aparelho de Ampliação Sonora Individual. No Dia Mundial da Audição, marcado nesta terça-feira (03), a história de Luzinete mostra o quanto cuidar da audição é essencial em todas as fases da vida, assim como ficar sempre atento a qualquer dificuldade de escuta.

Em 2025, a Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do Crefes, entregou mais de 2,8 mil aparelhos. Setenta por cento dos pacientes que recebem o equipamento são idosos. O Crefes é a unidade de referência estadual na concessão de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção e atua na reabilitação de pessoas com deficiência auditiva, oferecendo atendimento especializado e acompanhamento contínuo.

“O atendimento no Crefes é muito bom, já estou com o aparelho, acabei de receber. Primeiro vim para uma consulta, depois realizei vários exames e passei pela assistente social. Agora, preciso me adaptar com o som, aos poucos vou me acostumando. Já estou com o retorno para ajustes agendado. Antes era muito ruim não ouvir o som da TV, atender ligações no celular também era muito difícil. Vamos ver como será daqui pra frente”, ressaltou.

Inclusão e qualidade de vida

O secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, reforçou que os aparelhos auditivos contribuem para a inclusão e a qualidade de vida da população capixaba. “A gente sabe que cada entrega de aparelho representa dignidade para o paciente, que volta a ter autonomia e a se conectar com o mundo ao seu redor. É o Sistema Único de Saúde garantindo acesso e reduzindo desigualdades”, disse.

Para a chefe de Núcleo do Polo de Audiologia do Núcleo de Trabalho de Reabilitação Comunitária do Crefes, Juanne Figueredo da Silva Freitas, a audição é uma das principais portas de entrada para o aprendizado. “A comunicação e a convivência social. Seu desenvolvimento inicia ainda na gestação e continua amadurecendo ao longo da infância, da adolescência e da vida adulta”, explicou.

A médica otorrinolaringologista Juliana Neves Vallandro, que atende no CRE Metropolitano, em Cariacica, fez um alerta sobre os sinais da perda auditiva. “O paciente nessa condição pode apresentar sintomas que vão desde a dificuldade em ouvir os sons até a compreensão do que é dito, principalmente em ambientes com ruído. Inclui-se também o zumbido ou chiado, sensação de ouvido tampado e aumento do volume da televisão”, informou.

Segundo ela, pessoas com problemas de audição começam a apresentar dificuldade nas conversas e, consequentemente, na socialização. Além disso, solicitam com frequência que seja aumentado o volume dos aparelhos eletrônicos, como televisão, rádio e telefone; e costumam perguntar várias vezes durante um diálogo: “Ahã?”, “Como?”, “O quê?”. Outro problema que pode levar a essa condição são as otites recorrentes. O melhor caminho para evitar possíveis complicações é procurar assistência médica especializada.

Quando confirmada a perda auditiva, o processo de reabilitação é fundamental para prevenir prejuízos comunicativos e sociais. Já o aparelho auditivo contribui para a melhora da percepção sonora, favorecendo a atenção e a compreensão da fala. O atendimento é individual, conforme às necessidades de cada paciente.

Orientações que previnem

Existem algumas orientações que ajudam a prevenir a perda auditiva, como evitar exposição prolongada a ruídos intensos, como, por exemplo, em shows; usar protetor auricular ao manusear máquinas barulhentas e não fazer uso de medicação que pode lesionar o ouvido, os chamados medicamentos ototóxicos, principalmente por meio da automedicação.

Também é importante ficar alerta aos cuidados no uso de hastes flexíveis (cotonetes), que podem empurrar a cera para dentro e ocasionar perfuração da membrana do tímpano, além de manter uma alimentação rica em nutrientes e exercícios físicos que contribuem para a melhora da circulação e protegem o ouvido interno.

“É importante lembrar que a perda auditiva não tratada ocasiona um menor estímulo cerebral, prejudicando não só a audição, mas também a cognição”, alertou a otorrinolaringologista Juliana Vallandro.

Fluxo para ter acesso ao aparelho auditivo pelo Crefes

O paciente que apresenta dificuldade para ouvir deve procurar, inicialmente, a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de sua residência, onde será encaminhado para um médico otorrinolaringologista ou para fazer exame de audiometria. Ao diagnosticar a perda auditiva e a indicação de uso de aparelho auditivo, o paciente entra no Sistema Estadual de Regulação, seguindo o tempo de espera de oferta para ser atendido no Crefes.

Ao ser agendado no Crefes, o paciente passa inicialmente por outra consulta com um médico otorrinolaringologista e por uma nova avaliação e, se necessário, por novos exames. Confirmado o diagnóstico, é solicitado o aparelho auditivo. Vários fatores são levados em conta, como o tamanho da perda, o histórico de vida do paciente, a tecnologia a ser utilizada, entre outros.

Quando o aparelho auditivo do paciente chega ao Crefes, é realizado um novo agendamento para que se inicie a adaptação, que compreende uma regulagem individualizada, avaliações que verificam se está tudo dentro do esperado e orientações de cuidados necessários, garantindo, assim, uma vida longa ao equipamento, que possui vida útil de aproximadamente cinco anos.

O agendamento do primeiro retorno varia de 30 a 60 dias, tempo necessário para tirar as dúvidas, medir a evolução do paciente e fazer novos ajustes. Outros retornos podem ser necessários.

O encaminhamento para o acompanhamento anual do paciente, também é realizado via Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência. Assim como a troca do mesmo após o tempo de vida do aparelho auditivo.

É muito importante que o paciente que vai receber o aparelho auditivo venha acompanhado, a maioria são idosos e sozinhos fica mais difícil de compreender as orientações passadas pelos profissionais do Crefes.

 

Adaptação ao aparelho auditivo

Aumente gradativamente o uso do aparelho a cada dia. O ideal é utilizá-lo diariamente por no mínimo 8 horas;

Mesmo com o uso do aparelho, o paciente pode enfrentar dificuldades para entender algumas coisas;

Quanto mais o paciente usar o aparelho auditivo, mais fácil ficará a compreensão da fala;

O paciente deve evitar lugares com muito barulho na primeira semana de uso;

A adaptação pode demorar até seis semanas quando o aparelho auditivo é usado oito horas por dia.

 

Cuidados necessários com o aparelho auditivo

Retirar o aparelho para dormir e tomar banho;

Não deixar cair;

Não deixar molhar;

Não deixar dentro do banheiro enquanto toma banho;

Não usar com cabelos ou orelhas molhadas;

Não expor o equipamento a altas temperaturas;

Não deixá-los ao alcance de crianças e animais;

Guardar sempre no estojo, longe de calor e umidade.

 

Informações à Imprensa:

Assessoria de Comunicação da Sesa

Syria Luppi / Luciana Almeida / Clarissa Figueiredo / Danielly Campos / Thaísa Côrtes / Ana Cláudia dos Santos

imprensa@saude.es.gov.br

 

 

Assessoria de Comunicação – Superintendência da Regional Metropolitana de Saúde

Rachel Martins

rachelmartins@saude.es.gov.br

2015 / Desenvolvido pelo PRODEST utilizando o software livre Orchard