Hospital ‘São Lucas’ realiza exposição com quadros feitos por pacientes
Certa vez o pintor Van Gogh disse que a arte existe para consolar aqueles que são quebrados pela vida. No Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas”, em Vitória, a frase foi levada a sério não só no sentido metafórico. Mais de 40 pacientes internados foram “consolados pela arte” ao participarem do projeto “Cores que cuidam”.
Na ocasião, o pintor capixaba Gael Rocha emprestou suas obras como inspiração para que os pacientes deixassem a criatividade fluir e pudessem usar a pintura como uma forma de expressão e parte do processo de cura, que vai muito além de cirurgias e tratamentos físicos. Depois de prontos, os quadros foram expostos na entrada do hospital, permitindo que todos os funcionários e visitantes apreciassem as obras dos pacientes e também de Gael.
A coordenadora da equipe multidisciplinar do Hospital ‘São Lucas’, Mariana Doelinger, contou que o projeto “Cores que cuidam” já acontece há alguns meses, mas em diferentes formatos. Segundo ela, “a expectativa é ampliar o projeto de forma que muitos outros pacientes sejam contemplados”.
Em relação aos kits recebidos pelos pacientes, eles foram arrecadados por meio de uma campanha de doação iniciada pela diretora-técnica Elaine Dall’Orto. Os kits recebidos contavam com tela, pincéis, lápis, a impressão das obras que serviriam de inspiração e uma caixa com tintas de cor primária.
“Entendemos que o custo do projeto seria alto, então iniciei uma campanha entre os médicos, que foi ampliada para todos os funcionários e também pessoas de fora do hospital que quisessem participar. A ideia é que depois da exposição os pacientes levem a obra para casa como um símbolo de superação”, explicou a diretora-técnica.
O artista plástico capixaba, Gael Rocha, que participou da inauguração da exposição no último dia 19, ficou surpreso com a qualidade das obras e muito feliz por ter sido escolhido para participar do projeto.
“É muito gratificante ocupar um espaço tão diferente como o hospital, é mais uma prova de que a arte cabe em todo lugar, não está só nas galerias. Ver os pacientes tendo uma releitura do meu trabalho na visão deles e perceber o quanto a arte participa do processo de cura me enche de orgulho, de alegria e também de motivação. Penso que a qualquer momento podemos até descobrir algum artista autodidata por aqui, fazer a diferença na vida desses pacientes e deixar uma lembrança poderosa para o resto da vida”, comemorou o artista.
Já a psicóloga Mariana dos Santos, uma das facilitadoras do projeto em parceria com os outros psicólogos da equipe multidisciplinar e da equipe de enfermagem, relatou uma enorme surpresa por parte da equipe ao acompanhar o progresso e a felicidade dos pacientes usando as ferramentas artísticas para dar vazão a muitos sentimentos ainda desconhecidos.
“A princípio os pacientes reagiram com certa resistência, já que a maioria nunca tivera contato com a arte, sem oportunidade e tempo, por exemplo, de pintar. Ficamos muitos surpresos com o resultado. Conseguimos acessar muita coisa por meio das pinturas, especialmente emoções reprimidas, sonhos, desejos. Os pacientes se emocionavam durante a pintura e nós também, ao perceber a diferença que algo aparentemente simples pode fazer na vida de quem está em um momento de fragilidade, como é uma internação”, explicou a psicóloga.
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