‘Junho Lilás’: pediatra do HIMABA esclarece mitos e verdades sobre o teste do pezinho
Em junho, o tom lilás colore o calendário da saúde com um lembrete especial voltado aos cuidados neonatais. A campanha do ‘Junho Lilás’ reforça a importância da realização do Teste do Pezinho. Em 2025, foram realizados aproximadamente 58 mil testes do pezinho em todo o Estado e o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), localizado em Vila Velha, participa desse indicador com quase 900 coletas de material. Já em 2026, até maio, a unidade coletou mais de 400 exames.
Segundo informou a pediatra e diretora assistencial do Himaba, Vanuza Guasti, os pais e responsáveis devem realizar o teste dentro do período ideal para coleta, preferencialmente entre o 3º e o 5º dia de vida do bebê, a fim de garantir maior precisão no diagnóstico precoce de doenças.
A médica destacou que a conscientização sobre os exames neonatais deve ser reforçada junto à sociedade e esclareceu alguns mitos relacionados ao teste do pezinho. Confira:
Mito ou verdade: se o bebê aparenta estar saudável, o teste do pezinho pode ser dispensado?
Mito. Muitas doenças rastreadas não apresentam sintomas nos primeiros dias de vida.
Mito ou verdade: o teste do pezinho detecta todas as doenças genéticas e raras existentes?
Mito. O exame rastreia um grupo específico de doenças previstas no programa de triagem neonatal.
Mito ou verdade: quanto mais cedo uma doença é identificada pelo teste do pezinho, maiores são as chances de tratamento e melhor qualidade de vida da criança?
Verdade. O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento rapidamente, reduzindo os riscos de complicações.
Mito ou verdade: um resultado alterado significa que o bebê necessariamente tem a doença?
Mito. Um resultado alterado indica a necessidade de exames complementares para confirmação.
Mito ou verdade: mesmo bebês prematuros ou internados em UTI neonatal precisam realizar o teste do pezinho?
Verdade. Todos os recém-nascidos devem ser submetidos à triagem neonatal, seguindo protocolos específicos quando necessário.
Mito ou verdade: o exame dói muito e pode fazer mal ao recém-nascido?
Mito. A coleta é rápida, segura e causa apenas um pequeno desconforto momentâneo.
Mito ou verdade: se a coleta for realizada fora do período recomendado, o exame pode perder parte da sua eficácia?
Verdade. A realização fora da janela ideal pode comprometer a sensibilidade para algumas doenças.
Mito ou verdade: quando uma doença é detectada pelo teste do pezinho, é possível evitar sequelas graves em muitos casos?
Verdade. O tratamento precoce pode prevenir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida da criança.
Mito ou verdade: um resultado normal garante que a criança nunca desenvolverá qualquer problema de saúde no futuro?
Mito. O exame avalia apenas as doenças incluídas na triagem neonatal e não prevê todos os problemas de saúde.
Mito ou verdade: repetir o teste, quando solicitado pela equipe de saúde, significa que o bebê está doente?
Mito. A repetição pode ser necessária por motivos técnicos ou para esclarecer resultados, sem indicar necessariamente uma doença.
Espírito Santo avança na implementação do Programa Nacional de Triagem Neonatal
O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), do Ministério da Saúde, é realizado a partir do Teste do Pezinho e constitui um conjunto de ações preventivas responsável por identificar precocemente indivíduos com doenças metabólicas, genéticas, enzimáticas e endocrinológicas. O PNTN é dividido em cinco etapas, sendo cada uma destinada ao rastreamento de doenças específicas. No Espírito Santo, como em outros estados, a Etapa 1 já está consolidada desde 2023, rastreando as seis doenças obrigatórias, com processamento integral das amostras no Serviço de Referência em Triagem Neonatal (Apae Vitória).
O PNTN avança agora com a implementação das Etapas 4 e 5, com a aquisição dos equipamentos necessários e treinamento na nova plataforma, possibilitando a detecção precoce de doenças genéticas raras e de alto impacto, como a Atrofia Muscular Espinhal (AME), considerada uma das mais graves condições neuromusculares da primeira infância, além da Imunodeficiência Combinada Grave (SCID) e da Agamaglobulinemia.
Como fazer o teste do pezinho
Para ter acesso ao serviço, o recém-nascido deve ser encaminhado a um dos 460 postos de coleta (Unidades Básicas de Saúde) distribuídos nos 78 municípios capixabas para a realização da coleta do material. O exame também está disponível em maternidades, hospitais e outras unidades de saúde, tornando-o amplamente acessível a todos os recém-nascidos. Após a coleta, o material é encaminhado para análise no laboratório da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em Vitória.
Caso haja indicação de alguma das doenças que podem ser detectadas pelo teste, a instituição entra em contato com a unidade de saúde onde foi realizada a coleta e com o responsável pela criança, orientando sobre a realização de exames confirmatórios e os tratamentos necessários.
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Daniely Borges
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