23/04/2026 16h07 - Atualizado em 23/04/2026 16h32

Saúde alerta sobre os riscos relacionados à hipertensão arterial

Neste domingo (26), tem-se o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A data marca o apelo à sociedade brasileira na conscientização sobre a importância do diagnóstico preventivo e do tratamento da doença. Em alusão à data, a Secretaria da Saúde (Sesa) reforça a importância de controlar a pressão arterial elevada, uma vez que é essencial para evitar o agravamento de outras condições.

A hipertensão arterial, também conhecida como “pressão alta”, é uma condição médica crônica caracterizada pelo aumento persistente da pressão sanguínea nas artérias. É uma das doenças mais comuns em todo o mundo e pode levar a complicações graves, caso não seja tratada adequadamente.

Segundo explicou o médico cardiologista Werther Mônico Rosa, referência técnica cardiovascular da Sesa, a hipertensão é considerada uma doença das artérias de pequeno tamanho. Essas sofrem modificações biológicas que as levam a impor uma sobrecarga de trabalho ao coração e todo o sistema cardiovascular. “Uma vez que a hipertensão já tenha causado lesão nestes e em outros órgãos, dificilmente eles recuperam a função original, e o paciente passa então a ser considerado de maior risco”, contou.

Entre os agravamentos, o profissional elencou: o Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio, obstrução coronariana e angina, doenças da retina com prejuízo da visão e doença renal que pode levar à necessidade de diálise. Além disso, a hipertensão pode agravar as doenças agudas da aorta, que, embora mais raras que os anteriores, têm altíssima mortalidade e necessitam de cirurgia de emergência.

“A hipertensão arterial sistêmica tem alta correlação principalmente com o AVC, que é uma das principais causas de morte cardiovascular no Brasil e no mundo, juntamente com o infarto agudo do miocárdio. Ela ainda contribui para o agravamento de outras condições crônicas, e atua em conjunto com outros fatores de risco também importantes como a diabetes mellitus”, destacou Werther Mônico Rosa.

Estima-se, segundo o Ministério da Saúde, que 29,7% da população brasileira seja hipertensa. No Espírito Santo, cerca de 1,1 milhão de capixabas podem estar vivendo com esta condição. Embora não seja uma doença de notificação compulsória, dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) registraram 713 internações por hipertensão no Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado em 2025. Isso representa um aumento de 17,2% em relação ao ano de 2024, quando foram registradas 608 internações.

Para o profissional, um importante ponto de atenção é o crescente cenário de casos de obesidade, uma vez que é uma condição que aumenta a incidência tanto da hipertensão arterial quanto do diabetes tipo II, assim como o cuidado com o consumo do sal.

“O impacto no crescimento da hipertensão se dá tanto pelo aumento da obesidade quanto pelo excesso de sal em alimentos industrializados. É muito importante também lembrarmos do sedentarismo, estimulado pelo estilo de vida moderno. Pessoas sedentárias têm mais risco de hipertensão, tanto as obesas quanto as não obesas, e o sedentarismo está aumentando entre jovens”, explicou.

 

Causas

A hipertensão é uma doença que é herdada dos pais em 90% dos casos, mas há outros fatores que influenciam nos níveis de pressão arterial, entre eles:

- Fumo;

- Consumo de bebidas alcoólicas;

- Obesidade;

- Estresse;

- Elevado consumo de sal;

- Falta de atividade física.

Em relação ao consumo do sal, o médico cardiologista Werther Mônico Rosa, referência técnica cardiovascular da Sesa, explicou que está documentado que o sal em excesso “é um elemento importante nas modificações biológicas das artérias no processo que leva à hipertensão”.

“A redução do consumo de sal tem papel tanto para prevenção da hipertensão nas pessoas saudáveis quanto naquelas com hipertensão estabelecida.  A Organização Mundial de Saúde recomenda que a ingestão diária de sal não ultrapasse 2 gramas por dia, incluindo o sal presente nos alimentos e também o que adicionamos ao cozinhá-los ou à mesa”, salientou o profissional.

 

Prevenção

A prevenção à hipertensão pode ser dividida em dois momentos: quando a pessoa ainda não tem hipertensão e quer prevenir o seu aparecimento (prevenção primária) e quando a pessoa já tem a hipertensão e quer prevenir as suas complicações (prevenção secundária).

Na prevenção primária, o importante está na redução dos fatores de risco que a pessoa pode mudar, como evitar e/ou parar de fumar (cigarros regulares ou eletrônicos); realizar atividades físicas regulares; manter uma alimentação adequada, rica em potássio e baixa em sódio, incluindo folhas, legumes e grãos variados, moderada em carne vermelha, evitando ao máximo produtos industrializados e refeições rápidas (“fast-food”) e baixo teor de gordura saturada; manter o peso adequado; moderar o consumo de bebidas alcoólicas; realizar o manejo e a redução do estresse; e ter qualidade no sono.

A prevenção secundária ocorre para aqueles que já receberam o diagnóstico de hipertensão. Nestes casos, o objetivo é controlar a pressão para prevenir danos aos demais órgãos. Além da mudança para um estilo de vida saudável, com a interrupção do tabagismo, é importante que o paciente faça a adesão ao tratamento corretamente e realize o controle de doenças associadas.

 

Tratamento

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), responsável pelo cuidado longitudinal das pessoas com hipertensão, com a realização de ações preventivas e de promoção de saúde. Consultas regulares, conforme os protocolos de estratificação de risco e gravidade, são recomendações para o acompanhamento dos pacientes.

A dispensação de medicamentos também é disponibilizada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Portanto, o cidadão pode se dirigir à UBS mais próxima da residência dele e iniciar os cuidados com a saúde e o controle da hipertensão.

Por ser uma doença que é herdada dos pais em 90% dos casos, jovens adultos com antecedentes familiares de hipertensão devem se atentar aos cuidados e acompanhamento para rastreamento.

“O tratamento precoce, quando ainda não se tem lesões naqueles órgãos que citamos é fundamental para a saúde futura do jovem. Antes de chegar à idade adulta, nas consultas regulares de pediatria, é muito importante rastrear o histórico de saúde dos pais, bem como estimular desde cedo um estilo de vida mais saudável, com atividade física regular, alimentação adequada, manejo do estresse, e até mesmo redução de uso de redes sociais”, concluiu o médico cardiologista, Werther Mônico Rosa.

 

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