08/05/2026 15h23 - Atualizado em 18/05/2026 15h23

Simpósio Capixaba fortalece debate sobre prevenção da silicose na Região Norte de Saúde

Com mais de 400 participantes, o IV Simpósio Capixaba de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora reuniu gestores públicos, especialistas, pesquisadores e trabalhadores para discutir estratégias de prevenção, vigilância e cuidado relacionados às pneumoconioses no Espírito Santo, especialmente na Região Norte de Saúde. O encontro foi promovido pela Secretaria da Saúde (Sesa), por meio do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da Região Norte (Cerest Norte), com apoio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

O simpósio aconteceu como uma das ações do Abril Verde, campanha que chama atenção para a prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Neste ano de 2026, o tema escolhido foi Pneumoconiose relacionada ao trabalho, como a solicose, tema central do simpósio.

Na avaliação do subsecretário de Vigilância em Saúde da Sesa, Orlei Cardoso, o simpósio consolidou um espaço estratégico para construção de políticas públicas voltadas à saúde do trabalhador. “A iniciativa fortalece a formação de uma linha de cuidado ao capacitar profissionais que atuam tanto na ponta do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto diretamente nos ambientes produtivos, especialmente no setor de rochas ornamentais”, disse.

Orlei Cardoso também destacou a contribuição da Ufes São Mateus, que cedeu o espaço para realização do simpósio e mobilizou estudantes para acompanhar os debates. O simpósio aconteceu no último dia 29 de abril, no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes/Ufes), em São Mateus.

A coordenadora do Cerest Norte, Ana Lúcia de Lima, ressaltou a importância da ampliação do debate técnico sobre a silicose e do alinhamento entre os municípios para fortalecimento da vigilância em saúde do trabalhador.

“Os dados apresentados evidenciam a relevância do agravo na Região Norte, que concentra 113 dos 124 casos notificados no Estado, destacando a necessidade de intensificação das ações de saúde do trabalhador. A intenção é dar continuidade aos movimentos iniciados, promovendo novas ações e estratégias que contribuam para a implementação de medidas efetivas voltadas a essa categoria de trabalhadores”, pontuou a coordenadora.

Já o chefe do Núcleo Especial de Vigilância em Saúde do Trabalhador e coordenador do Cerest/ES, Frederico de Freitas, avaliou positivamente o evento. “Foi excelente poder trazer o simpósio aqui para a Região Norte, dialogar de perto com os trabalhadores e trabalhadoras que estão dentro do ciclo produtivo das rochas ornamentais e também trazer formação para os trabalhadores da saúde e para a sociedade geral”, frisou.

Fotos do evento neste link.

 

Participação de trabalhadores e pesquisadores amplia discussões sobre silicose

Presidente da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora do Espírito Santo, Fábio Roberto Gama Encarnação reforçou que a prevenção continua sendo o principal caminho para proteção da saúde do trabalhador. “E o mais importante é a participação do trabalhador nesse processo. Inclusive o controle social, em que o Conselho Estadual de Saúde é um reflexo”, comentou.

A regionalização do debate também foi destacada pelo diretor do Ceunes/Ufes, professor Luiz Antônio Fávero Filho. Ele lembrou que a unidade completa 20 anos em 2026 e que o simpósio era uma das atividades comemorativas da instituição. “É muito importante a gente poder debater políticas públicas aqui dentro, porque isso faz parte também do processo formativo dos nossos estudantes.”

O secretário municipal de Saúde de São Mateus, Roberto Borgo Feitosa, também ressaltou a importância da interiorização das discussões sobre saúde do trabalhador. “Cuidar de quem trabalha é fortalecer toda a comunidade”, comentou.

Um dos destaques do simpósio foi a participação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Mármore e Granito do Estado do Espírito Santo (Sindimármore). O diretor de Comunicação da entidade, Fernando Silva Vieira, relatou desafios enfrentados pela categoria e apresentou o documentário “Abaixo da Superfície”, sobre situações de saúde relacionadas à cadeia produtiva do setor. “O papel do sindicato é estar aí para a luta, e a gente está aí para somar”, sintetizou.

Especialista em Gestão, Regulação e Vigilância em Saúde, Fernando Roberto da Silva defendeu o fortalecimento de instituições de fiscalização e vigilância para garantir ambientes laborais mais seguros. “A prioridade tem que ser equipamento de proteção coletiva”, orientou. A assistente social Josiane de Fraga Januário Felicíssimo, que atua em Barra de São Francisco, reforçou a importância da busca ativa para ampliar as notificações de casos de silicose na Região Norte. “A rede privada também tem que notificar”, lembrou.

Pesquisador sênior da Fundacentro e doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP), Eduardo Algranti participou por teleconferência e apresentou dados sobre a evolução da mortalidade por silicose no Brasil e no mundo desde a década de 1980. O pesquisador alertou ainda para os riscos associados às chamadas pedras artificiais, com proporção de sílica muito mais elevada na comparação com as pedras brutas.

 

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