Suspensão de vacina contra a dengue acontece com imunizante do Butantan voltada a trabalhadores da APS
Na última segunda-feira (08), o Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da estratégia específica de imunização contra a dengue no País com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A estratégia, voltada exclusivamente à vacinação de trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS), teve sua suspensão para investigação de eventos raros inesperados e incompatíveis com o estudo clínico feito para a aprovação da vacina.
Para a referência técnica do Programa Estadual de Imunizações (PEI), Danielle Grillo, é importante neste momento diferenciar as vacinas e estratégias voltadas para a proteção contra a dengue, uma vez que há dúvidas também em relação à vacinação de crianças e adolescentes.
A estratégia de vacinação de crianças e adolescentes integra o Calendário Nacional de Vacinação de ambos os públicos e acontece desde 2024 com o imunizante Qdenga. A vacina é destinada a crianças de 10 a 14 anos, sendo administrada em duas doses, com intervalo de três meses entre elas.
Já a estratégia de vacinação com imunizante produzido pelo Butantan, a Butantan-DV, suspensa temporariamente, foi iniciada em fevereiro deste ano no Estado e é tida como estratégia específica, por ser destinada exclusivamente ao público formado por trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) capixaba de 15 a 59 anos, 11 meses e 29 dias de idade.
“Há muitas dúvidas surgindo neste momento, e é importante destacarmos que a vacinação de crianças e adolescentes continua. Ela integra o Calendário e está disponível como dose de rotina desse grupo. A vacina aplicada é a Qdenga, produzida pelo Laboratório Takeda. Portanto, não há qualquer recomendação de interrupção da vacinação com a Qdenga no SUS”, explicou a referência técnica, Danielle Grillo.
O Estado havia alcançado até abril deste ano 74,67% de cobertura na D1 e 42,97% na D2, totalizando mais de 88 mil crianças e adolescentes imunizados com esquema completo.
A referência técnica do PEI destacou ainda a importância de os pais e responsáveis se atentarem a essas informações, de diferenciações entre os imunizantes, e procurarem um serviço de saúde para garantir a proteção de crianças e adolescentes que ainda não iniciaram o esquema ou estejam em atraso. “Este é um público que apresenta elevada proporção de hospitalizações por dengue e vacinar é uma das formas mais importantes de prevenir casos graves da doença e proteger a nossa população. Em caso de dúvidas, procure um serviço de saúde ou os canais oficiais de comunicação da saúde”, reforçou Danielle Grillo.
Sobre a suspensão da vacina do Butantan (Butantan-DV)
A medida ocorre após o registro de 42 casos com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dentre eles, três foram classificados como graves, incluindo dois óbitos. A identificação de sinais de alerta após a introdução de uma vacina na rede de saúde segue protocolos internacionais de farmacovigilância. Antes de ser incorporada ao SUS, a vacina Butantan-DV passou por todas as etapas de avaliação exigidas pelos órgãos reguladores, com resultados que demonstraram sua segurança e eficácia.
A decisão de suspender temporariamente a aplicação do imunizante foi tomada após discussão com o Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (Ctai), instâncias compostas por representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas.
No Espírito Santo, foram encaminhadas 26.180 doses da vacina e aplicadas 8.873 (até o dia 08/06), sem registro de eventos adversos graves e raros. As doses disponíveis ficarão armazenadas nas redes de frio municipais até a Sesa receber novas orientações do órgão federal.
De acordo com o Ministério da Saúde, para quem já recebeu a vacina, a orientação é observar o estado de saúde por 21 dias após a aplicação. Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente.
A partir de agora, as equipes de saúde vão reforçar a vigilância de pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial para o reconhecimento de sinais de alarme e de gravidade. Também deverão intensificar a notificação de casos, acionar a vigilância local e garantir o encaminhamento imediato para atendimento clínico quando necessário.
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