18/06/2013 09h26 - Atualizado em 23/09/2015 13h37

Crianças com até quatro anos são mais suscetíveis à gripe

Dados levantados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostram que crianças com até quatro anos de idade estão mais suscetíveis à gripe. Embora a maioria desses casos seja tratada nas unidades de saúde municipais, nos últimos cinco anos, os hospitais estaduais pediátricos da Grande Vitória registraram 24.293 internações por esse motivo. O número representa quase 40% do total de internações por gripe ou pneumonia no Espírito Santo. Em segundo lugar estão os idosos acima de 65 anos, com 25,4%.

A vulnerabilidade maior nesses dois grupos se deve ao mesmo fator: a fragilidade do sistema imunológico nessas duas fases da vida, conforme explica a diretora técnica do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Dr. Alzir Bernardino Alves, em Vila Velha (Himaba), Rubia Mara Martins.

Nos primeiros quatro anos de vida da criança, os mecanismos de defesa do organismo ainda não tiveram tempo de se desenvolver. Daí a importância de respeitar e cumprir todo o calendário de vacinação, dando as doses corretas. Alimentação saudável, rica em frutas e verduras e hidratação também ajudam a fortalecer o sistema imunológico em qualquer fase da vida, principalmente das pessoas mais vulneráveis.

E para quem acha que o maior número de internações ocorre no inverno, se engana. Os vírus da Influenza (gripe) circulam o ano inteiro. Portanto, expor crianças que não desenvolveram totalmente seu sistema imunológico a ambientes de aglomerações aumenta as chances de contaminação.

Para se ter uma idéia, quase 10 mil menores de um ano ficaram internados por gripe, segundo dados da Sesa referente ao período de 2008 e 2012. “Um dos fatores que contribui para o desenvolvimento da doença é levar os pequenos, até mesmo os bebês, a ambientes com muitas pessoas próximas, ou transportá-los em ônibus, por exemplo. Até mesmo a inserção cada vez mais cedo das crianças em creches, escolas, em ambientes de socialização propicia um risco maior de contrair o vírus”, avalia a médica.

Ela explica que as gotículas de um espirro alcançam até um metro de distância. E se a contaminação não ocorrer nesse momento, pode ser pelo toque das mãos da pessoa gripada que tentou proteger a boca e o nariz com a mão ao espirrar, e logo depois cumprimentou à mãe ou fez um carinho no rosto do bebê transferindo o germe.

É preciso lembrar que mesmo tomando todo ano a vacina contra a Influenza são vários os vírus causadores da doença. Isso quer dizer que as chances de contrair a gripe são reduzidas, mas não eliminadas.

A médica lembra que a maioria dos casos pode ser tratada em unidades de saúde, desde que os pais e responsáveis estejam atentos e busquem orientação profissional quando surgirem sinais como uma febre persistente.

Sintomas

“A febre é um sinal importante. É bom conferir a temperatura pelo menos três vezes e anotar o horário. Uma das diferenças entre gripe e resfriado se revela na temperatura: nos resfriados, a febre é sempre baixa. Já na gripe, é alta, acima dos 38°. Além disso, a criança fica mais chorosa (sinal de dor no corpo), olho mais fundinho, com olheira e tem menos apetite e vontade de brincar” ensina a médica.

A dica é buscar a unidade de saúde do município mais próxima de sua casa para avaliação e acompanhamento do quadro clínico da criança e evitar complicações que podem gerar uma internação desnecessária. Outra orientação importante é evitar a automedicação, porque pode mascarar sintomas e dificultar o diagnóstico de uma outra doença.

Fique por dentro

Diferença entre alergia, gripe e resfriado

Alergia – A criança apresenta nariz entupido, espirra, tem coriza, mas se mantém ativa.

Resfriado – Os sintomas são parecidos com os da alergia. Podem vir acompanhados de febre baixa e dor de garganta. Atinge normalmente as vias aéreas superiores (parte acima da garganta). Depois do terceiro ou quarto dia os sintomas desaparecem.

Gripe – A febre aparece em horários isolados, passa de 38° e vai até 40°, a cabeça fica dolorida, há sensação de prostração intensa. O que chama mais atenção na gripe são os sinais de desconforto geral e muita dor no corpo. Além disso, a infecção das vias aéreas inferiores (traqueia, brônquio e pulmões) é mais comum nos casos de gripe. Após o quarto ou quinto dia, o quadro pode se complicar e levar a uma pneumonia, se não for tratado inicialmente.

Obs: Em todos esses casos, é preciso reforçar a hidratação por meio de água, suco, água de coco, chá.

Cuidados e prevenção – Não é o frio que causa a maior circulação do vírus, mas cria o ambiente favorável. Portanto, a dica é manter os ambientes bem ventilados e evitar locais com grande concentração de pessoas. Os cuidadores dos bebês devem lavar as mãos constantemente e mantê-los hidratados.

Quarto de criança – Quanto menos objeto melhor. Evitar cortina, bichos de pelúcia e trocar com frequencia a roupa de cama pode ajudar a reduzir a concentração dos agentes causadores de alergia, que comprometem o sistema imunológico.

Alimentação saudável – O leite materno é um fator de proteção importante porque a mãe passa os anticorpos, a defesa do seu organismo, para o bebê. Após os seis meses de idade, deve-se introduzir frutas e verduras na alimentação dos pequenos porque são ricos em nutrientes, vitaminas e minerais que ajudam a fortalecer o sistema imunológico. E atenção! Refeições à base de carboidratos (macarrão, batata frita, entre outros) causam desequilíbrio, pois são pobres em nutrientes e provocam obesidade, alerta a médica.

Medicações – Só por prescrição médica. A maioria dos casos é tratada em unidades básicas de saúde. Se acompanhado desde o início, o quadro gripal evolui normalmente e internações são evitadas.

Os números

– Internações por gripe de 2008 a 2012 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado
Total de pessoas: 64.351
Crianças: 24.293 (37,75%)
Idosos: 16.371 (25,4%)

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Dannielly Valory/Jucilene Borges/Marcos Bonn/Maria Angela Siqueira
Texto: Maria Angela Siqueira
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